
Hugo Paquete, investigador integrado do INET-md, é autor do artigo “Organizing the Sonic Remnant. The AI-Chimera and the Praxis of Meta-Listening“, publicado no Capítulo IV – Cinema / Tecnologia da revista AVANCA | CINEMA 2026 – N.º 17 (2026).
O artigo analisa como o estúdio computacional deixou de ser uma ferramenta para se tornar uma infraestrutura que pré‑estrutura e expande o pensamento auditivo, argumentando que a IA comercial institui um regime de escuta automatizada e de normalização estética popular que suprime o remanescente vibracional, o ruído e formas mais dissonantes ou experimentais de expressão sonora. Este regime reorganiza a criatividade e a produção, disciplina o tempo sonoro através de protocolos de plataforma e consolida uma escuta mediada por sistemas algorítmicos orientados para padrões estéticos dominantes, configurando aquilo que designo como meta‑escuta. A partir do modelo analítico SRT7 e de uma metodologia prática que articula construção de instrumentos e performances, desconstrução forense e enquadramento relacional, demonstra‑se como a meta‑escuta funciona simultaneamente como diagnóstico das condições de meta‑produção e como estratégia de leitura desta governação auditiva. A análise é concretizada através de dois modelos contra‑infraestruturais, Atmospheric Hyperinstrument (2025), que converte dados de CO₂ em MIDI, e Cyber Attack Sonifier: Glitch Ecology (2026), que transforma atividade de ciberataques em som, evidenciando como intervenções tecnológicas descentradas dos padrões sonoros pré‑aprendidos nos datasets das LLM podem redistribuir agência, revelar camadas invisíveis das infraestruturas digitais e cultivar sensibilidades auditivas pós‑humanas. Propõe‑se, por fim, a AI‑Chimera como operador teórico e sistema relacional emergente da intra‑ação entre meta‑escuta humana, audição algorítmica, protocolos de software e sensores ambientais, constituindo um conceito central para compreender formas de criatividade híbrida que emergem de campos SRT7 configurado