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Categoria
Integrado/a Doutorado/a
Código Ciência ID
C818-547A-287C
Dados

Departamento de Comunicação e Arte | Universidade de Aveiro

Campus Universitário de Santiago
3810-193 Aveiro
Portugal

Email: paquetehugo@gmail.com
Tel: (+351) 234 370 389 (ext. 23700)

Grupo de Investigação

Hugo Paquete

CEEC individual

Hugo Paquete é artista sonoro (sonic media artist), compositor e investigador, doutorado em Media Arte Digital. A sua prática situa-se na convergência da criação artística contemporânea e da investigação académica, sustentada por métodos experimentais e práticos. O seu trabalho, internacionalmente reconhecido, explora a intersecção entre os Sound Studies, a arqueologia dos media e a performance pós-digital, investigando o que designa por inconsciente tecnológico, os sistemas, códigos e infraestruturas ocultas que moldam a experiência contemporânea nas suas dimensões filosófica, metapolítica, económica e cultural.

É atualmente Investigador CEEC-FCT no INET-md (Universidade de Aveiro) , onde coordena o projeto AI as Catalyst: Transformative Impacts on Digital Performance, Computer Music, and Cultural Creativity (2026). Esta investigação desenvolve o conceito de AI-Chimera: uma entidade criativa híbrida emergente da colaboração entre humanos e sistemas de IA, desafiando as fronteiras entre autor, ferramenta e colaborador.

A sua produção artística ultrapassa 40 obras apresentadas em mais de 15 países, distinguindo-se por uma abordagem metodológica experimental que articula a sabotagem algorítmica e a construção de ecologias cibernéticas, mundos sonoros imersivos nascidos da intra-ação entre performers humanos, fluxos de dados em tempo real, algoritmos generativos e ruído. O seu trabalho foi apresentado em instituições como o ZKM | Center for Art and Media (Alemanha) , o Ars Electronica (Áustria) , o Museum of Arts and Design (Nova Iorque) e o ATLAS Institute (Universidade do Colorado, EUA) . Foi artista em residência no ZKM | Hertz-Lab em múltiplos anos (2011, 2018, 2019-2020), onde desenvolveu obras como Corpus Pygmalion, Cosmos e Orbital Eccentricity, esta última com financiamento i-Portunus e publicação pela Association for Computing Machinery (ACM) .

Entre as suas obras mais emblemáticas destacam-se: Unevenness (2015), composição electroacústica selecionada pela NASA para a missão OSIRIS-REx, atualmente a orbitar o asteroide Bennu; Orbital Eccentricity (2020-2021), sonificação em tempo real de dados de satélite; Cosmos (2018) e Pulsar (2022), composições multicanal (48 canais) apresentadas no ZKM Kubos, no Ars Electronica Festival e no ATLAS Institute; Negentropy: The Last Man in the Wasteland (2024), ópera multimédia que integra IA, visualização científica e conversão de CO₂ em MIDI, financiada pela DGArtes; ZOE: Actant (2017), instalação com sonificação de processos biológicos resultante de residência no Hospital do Divino Espírito Santo (Açores); e Talking Doors (2010), instalação interativa com Julijonas Urbonas distinguida no Prix Ars Electronica e no Japan Media Arts Festival.

A sua investigação é publicada em fóruns de referência como a ACM, com artigos que introduzem conceitos como data-sound, e encontra-se consolidada na tese de doutoramento Imanências Espectrais: Reflexão sobre o Pós-Digital nas Artes Sonoras (2022), distinguida com louvor e distinção e financiada pela FCT. O seu percurso é marcado por financiamentos da Fundação Calouste Gulbenkian, DGArtes, FCT, Creative Europe / CreArt e i-Portunus. É fundador e diretor do Absonus Lab (integrado na European Media Art Platform) e tem experiência docente em diversos contextos e níveis de ensino. Atravessando mais de duas décadas de atividade, a sua produção afirma-se no panorama da arte sonora e nos cruzamentos disciplinares entre arte e tecnologia, contribuindo para o pensamento crítico sobre tecnologia, perceção e agência no século XXI.

Projeto CEEC

AI as Catalyst: Transformative Impacts on Digital Performance, Computer Music, and Cultural Creativity

AI as Catalyst (2026-2029) é um projeto de investigação artística financiado pela FCT e desenvolvido no INET-md, Universidade de Aveiro. O projeto investiga o papel transformador da Inteligência Artificial na Performance Digital e na Música Computacional, partindo de três questões fundamentais: Como é que a IA redefine a fronteira entre agência humana e não-humana na criação artística? Como se processa a transição da estética do glitch para modelos probabilísticos orientados por IA? E de que forma a IA, enquanto hiperobjeto, se intersecta com o data-sound para desafiar os processos composicionais tradicionais?

A investigação parte da premissa de que a IA não é apenas uma ferramenta, mas um catalisador que reconfigura a criação artística contemporânea. No centro do projeto está o conceito de AI-Chimera: uma entidade criativa híbrida que emerge da colaboração entre humanos e sistemas de IA, desafiando as fronteiras entre autor, ferramenta e colaborador. Articulando conceitos como “data-sound” (Paquete, 2022), ecologias cibernéticas e prompt design como prática composicional, a investigação materializa-se em três projetos práticos que integram reflexão filosófica e crítica, desenvolvimento de ferramentas, experimentação sonora, composição e performance:

Hyperobject Soundscapes: explora a sonificação de dados em tempo real (satélites, sensores ambientais) para criar territórios sonoros imersivos onde a IA atua como mediadora entre o mundo físico e a experiência estética, interrogando a agência híbrida na criação sonora. AI Remix Collective: investiga a colaboração performativa entre músicos humanos e IA em ambiente sonoro 3D, onde o prompting se torna gesto composicional e a máquina co-performance, explorando a emergência de novas formas de metacriatividade. Glitch Ecology: converte dados em paisagens audiovisuais, utilizando a IA para tornar audível o impacto ecológico e refletir criticamente sobre a crise climática, questionando o papel da arte na percepção de fenômenos complexos.

Em colaboração com parceiros nacionais e internacionais, o projeto afirma o papel da arte sonora como pensamento crítico sobre tecnologia, perceção e agência no século XXI.

Financiamento
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2024.09158.CEECIND)