SEMINÁRIO PERMANENTE DE ETNOMUSICOLOGIA E ESTUDOS EM MÚSICA POPULAR
O Seminário Permanente de Etnomusicologia e Estudos em Música Popular, criado em 2022, é o evento central do Grupo de Investigação com o mesmo nome, e reúne todos os seus investigadores — integrados, colaboradores ou em doutoramento —, com periodicidade mensal ou bimensal. Durante duas horas, são debatidas as pesquisas recentes de investigadores internos e externos ao grupo, nacionais e estrangeiros, mantendo sempre um equilíbrio de género e dos diferentes níveis de carreira. A programação é da responsabilidade de Filippo Bonini Baraldi, Andrew Snyder e Susana Sardo.
18-11-2026 | 16h – 18h | NOVA FCSH, Lisboa | Campus Campolide, Colégio Almada Negreiros
| Sala 209
Entrada livre, presencial e online.
“Comprem, Porra!”: Subsunção e as Amarras Económicas da Música Indie Brasileira
Shannon Garland | Universidade de Pittsburgh
Em 2026, a música indie no Brasil parece girar toda em torno do dinheiro. Bandas gritam para os fãs comprarem camisetas nos shows. Pequenas casas de show exortam o público a consumir suas bebidas, e não as do bar mais barato ao lado. Produtores reclamam que as bandas esperam cachês muito acima do que podem pagar. E gerentes de casas de show explicam como sua longa trajetória produzindo música de forma independente se transformou em um trabalho a serviço de multinacionais de cerveja e ingressos. Esta apresentação discute a aparente contradição entre a comercialidade que permeia todo o circuito indie brasileiro, dos shows gratuitos na rua às casas de garagem e às casas de show de médio porte, e as práticas pós-punk do Faça-Você-Mesmo (DIY), bem como o ethos político, de onde surgiu a cultura indie. Descreve os circuitos industriais, mercantis e financeiros que fazem parte integrante da economia indie, como a pequena produção mercantil das bandas (camisetas, discos, adesivos), os vendedores ambulantes que concorrem com os organizadores de festas de rua ilegais e as casas formais que operam endividadas às empresas de cerveja e ingressos. Considera essas atividades teoricamente por meio dos conceitos de pequena produção mercantil e de subsunção, os processos pelos quais a produção se subordina ao capital. Quais são as implicações para a cultura da música popular quando os produtores não têm escolha senão exortar os ouvintes a comprar, enquanto corporações multinacionais usam a música como meio de vender outras coisas?
Shannon Garland | Professora Auxiliar de Música na Universidade de Pittsburgh e Investigadora Visitante Fulbright no INET-md. Investiga a exploração laboral, a remuneração e a mercantilização em relação com os media musicais, a socialidade e a política, em particular no rock sul-americano. A sua investigação Fulbright, que serve de base a um novo projeto, analisa o trabalho não remunerado que está no centro da Festa do Avante!. Publicou, entre outros, no Oxford Handbook of Economic Ethnomusicology; Culture, Theory and Critique; Ethnomusicology Forum; The Journal of Extreme Anthropology; e Rock Music Studies. É também coeditora do volume Independence in 21st-Century Popular Music: Cases from Beyond Anglo-America. O seu atual projeto de livro, For the Love: Indie Music, Labor, and Value in Brazil and Beyond, traça a ascensão e a transformação da indústria da música indie brasileira entre 1989 e 2029. É doutorada em Etnomusicologia pela Universidade de Columbia.