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Projeto EXIMUS encerra após três anos e meio de investigação sobre música e exílio português em França

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2026 · 10 · 15

O projeto de investigação EXIMUS – «É preciso avisar toda a gente»: Música e exílio em França durante o regime do Estado Novo (1933–1974), coordenado por Manuel Deniz Silva, Presidente do INET-md e Coordenador do Pólo NOVA FCSH, chega ao fim em Outubro de 2026, após três anos e meio de actividade científica, marcada pela investigação histórica, pela colaboração internacional e por diversas iniciativas de divulgação junto do público.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o projeto teve como principal objectivo estudar o impacto da experiência do exílio na criação musical portuguesa durante o Estado Novo, explorando as relações entre música, resistência política, migração e memória. A investigação reuniu contributos da musicologia, da etnomusicologia, da história e dos estudos culturais, através da análise de documentação de arquivo, testemunhos orais e percursos individuais de músicos exilados em França.

Entre os seus objectos de estudo destacaram-se figuras como Fernando Lopes-Graça, Luís Cília, José Mário Branco, Sérgio Godinho e Tino Flores, cujas trajectórias permitem compreender diferentes dimensões da criação musical em contextos de exílio e resistência à ditadura.

Ao longo da sua execução, o EXIMUS promoveu diversas actividades científicas e culturais, entre as quais o Congresso Internacional «Música e Exílio», realizado de 21 a 23 de Maio de 2026, na NOVA FCSH, reunindo investigadores de diferentes países e áreas disciplinares.

No âmbito das actividades de divulgação destinadas ao grande público em França, outubro ficou marcado pela apresentação da exposição documental «Canções do exílio português na madrugada da Revolução dos Cravos (1974)», na sala de espectáculos Le Rocher de Palmer, em Cenon, na região de Bordéus. Organizada em parceria com a associação O Sol de Portugal, a iniciativa contou com a presença de Miguel Brito e Abreu, Cônsul de Portugal em Bordéus, reforçando a ligação entre a investigação académica e as comunidades portuguesas em França.

A 15 de outubro, realizou-se em Paris uma última reunião com a associação Mémoire vive – Memória viva, parceira do projecto, que permitiu fazer um balanço do trabalho desenvolvido e identificar possíveis desdobramentos a longo prazo. Entre as questões discutidas destacou-se a possibilidade de retomar contactos com os intervenientes que poderão contribuir para ultrapassar os obstáculos relacionados com os direitos de exibição do filme O Salto, cuja apresentação pública se encontra actualmente inviabilizada.

Embora o EXIMUS encerre formalmente no final de Outubro de 2026, várias iniciativas de investigação relacionadas com Fernando Lopes-Graça terão continuidade até ao Verão de 2027.

O encerramento do projeto representa, assim, não apenas a conclusão de um percurso de investigação, mas também a consolidação de relações científicas e institucionais e a abertura de novas possibilidades de trabalho em torno da memória do exílio português, da resistência à ditadura e do papel da música na história política e cultural do século XX.

Mais informações: Site oficial do projecto EXIMUS

Projeto EXIMUS — «É preciso avisar toda a gente»: Música e exílio em França durante o regime do Estado Novo (1933–1974) (2022.05129.PTDC), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.