Loading

INET-md na BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas

Notícias
2025 · 07 · 18

Workshop “Linhas de Tensão. Arte, Dança e Ecologia”

No passado dia 18 de Julho de 2025, realizou-se mais um encontro do projeto “Linhas de Tensão. Arte, Dança e Ecologia”, desta vez na Biblioteca de Alcântara – José Dias Coelho, contando com a participação de Daniel Tércio (INET-md), autor do projeto e livro homónimo, Rita Vilhena (performer) e Alix Sarrouy (INET-md).

O projeto “Linhas de Tensão. Arte, Dança e Ecologia”, de Daniel Tércio, investigador integrado do INET-md, propõe uma visão da ecologia que não se limite ao estudo de um domínio estrito dos fenómenos ambientais, mas que, ao associá-los à arte — e, em particular, à dança — alargue o seu âmbito às relações do mundo humano com toda a natureza. Cada encontro é acompanhado por uma oficina de produção imaginativa de acções e coisas possíveis, com cariz inclusivo, orientada pelo autor e por artistas convidados, e uma conversa em torno do livro Linhas de Tensão. Arte, Dança e Ecologia.

Na primeira parte do encontro em Alcântara, que integrou a programação da BoCA – Bienal de Artes Contempoâneas 2025, a performer Rita Vilhena dinamizou o workshop “Corpo-Planta: Transmissão, Convivência e Escuta Poético-Sensível”. O workshop propôs um mergulho sensível na relação entre corpo, natureza e gesto artístico, através de práticas que activam a escuta, a convivência e a escrita automática. Partindo da ideia de transmissão entre corpos, explorou-se a corporificação do conceito “corpo-planta”, abrindo espaço para a criação de uma partitura física colectiva, enraizada em afectos, atenção e co-presença. A proposta deste workshop nasce da urgência de repensar a nossa relação com o planeta. Numa época marcada pela crise ecológica e pela separação entre natureza e cultura, este encontro convida à criação de um espaço de reconexão — com o chão que pisamos, com os corpos que nos rodeiam, com os ritmos da terra e com os gestos de cuidado. Através de exercícios corporais, práticas de partilha e momentos de escrita automática, foram abordadas questões ligadas ao Antropoceno, ao ecofeminismo e à escuta como ferramenta poética e política.

Após o workshop, Alix Didier Sarrouy apresentou o livro e conduziu uma conversa entre o autor Daniel Tércio, a performer Rita Vilhena e as pessoas presentes. Com autoria de Daniel Tércio, o livro está organizado em nove ensaios: floresta; plâncton e baleias; agressão e violência; transformar; transportar; dormir e sonhar; sabedoria dos povos originários; ser selvagem; e encantar-ressoar. O livro inclui ainda um posfácio que convida a um exercício prospetivo: como serão os nossos mundos, como estará a Terra, em 2028? Esta pergunta constitui o desafio para o segundo tempo do projeto: o que podemos fazer desde já?

No final do evento, exemplares do livro foram distribuídos gratuitamente a todas as pessoas presentes.

Informações adicionais sobre o evento podem ser visualizadas aqui.

Fotografias de Bruno Simão.