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“Allkütun kangechi”: projeto do INET-md promove escuta expandida, criação sonora e participação comunitária no Chile

Notícias
2026 · 06 · 09

A investigadora integrada do INET-md, Ana Luísa Veloso, e o músico e artista sonoro Henrique Fernandes, da Sonoscopia, desenvolveram em Valparaíso, no Chile, o projeto “Allkütun kangechi”, financiado pelo programa Ibermúsicas, edição de 2025. O projeto foi desenvolvido ao longo de uma residência artístico-educativa e de investigação na associação Tsonami Arte Sonoro entre 6 de abril e 6 de maio de 2026.

“Allkütun kangechi” reúne duas palavras em “Mapudungun”, língua do povo Mapuche, associadas à ideia de “escutar de uma maneira diferente”. A partir dessa imagem, o projeto propôs uma experiência artístico-educativa centrada na escuta expandida, na criação sonora coletiva e na relação com o território, numa jornada que convidou crianças, adultos, professores, estudantes e artistas a escutar a partir de outros pontos de vista: objetos, árvores, conchas, folhas, e outros elementos da paisagem natural e urbana.

Com este objetivo, foram desenvolvidos ao longo do processo diferentes dispositivos de escuta, entre os quais microfones preparados com búzios, cardos, campânulas de vidro e outros elementos, que funcionavam como filtros, que convidavam a escutar de uma forma material e imaginativa através destes elementos.

Em Valparaíso, o projeto desenvolveu-se em vários contextos educativos, comunitários e artísticos. No “Parque Escuela”, foram realizadas oficinas regulares com a comunidade, envolvendo crianças, adultos e artistas em processos de escuta, exploração, experimentação e criação sonora. A residência incluiu também um encontro com professores, dois workshops em escolas — na “Escuela República del Uruguay” e no “Colegio Brasília” —, bem como a gravação de um programa para a Rádio Tsonami. O projeto estendeu-se ainda à “Ciudad Abierta”, onde foi realizado um workshop com estudantes da Escuela de Arquitectura y Diseño da Pontificia Universidad Católica  de Valparaíso, centrado na escuta como forma de relação com o espaço, os materiais, o corpo e o lugar.

A dimensão performativa foi ganhando corpo ao longo da residência, por meio da criação de uma “Quimera”, um corpo híbrido emergente de um entrelaçamento entre o humano, o não humano e a tecnologia, que condensava algumas das ideias centrais do projeto: a escuta expandida, deslocada e relutante do “espaço intermédio” que emerge da interação entre os diversos elementos (humanos, não humanos) que habitam um lugar.

A residência culminou, no dia 30 de abril, numa ação performativa pública no Parque Escuela, realizada com as pessoas que participaram nas oficinas, artistas da associação Tsonami e outros artistas locais. O público podia acompanhar a ação ao vivo, mas também escutá-la através da Rádio Tsonami,  tendo acesso à mistura final ou, através de QR code, a diferentes pontos de escuta: os microfones com cardos, os microfones com búzios, os microfones com campânulas de vidro e a escuta da Quimera.

Allkütun kangechi constituiu um espaço de encontro, de citação e investigação que permitiu aprofundar linhas de investigação que têm vindo a ser desenvolvidas no INET-md/Universidade de Aveiro e na Sonoscopia, em torno da educação musical centrada no som, da escuta expandida, da criação colaborativa e das práticas artísticas com crianças e comunidades, reforçando também as redes de colaboração entre Portugal e Chile.