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Capítulo

Antonio Tedeschi, Cantor e Compositor da Real Capela de Nossa Senhora da Ajuda (1755-1770)

Grupos de Investigação

Fernando Miguel Jalôto, investigador integrado do INET-md, é autor do capítulo “Antonio Tedeschi, Cantor e Compositor da Real Capela de Nossa Senhora da Ajuda (1755-1770)”, incluído no livro Música en las cortes ibéricas (1700-1834): ceremonial, artes del espectáculo y representación del poder (2023, SEdeM) co-editado por Cristina Fernandes, investigadora integrada do INET-md e coordenadora do Grupo de Investigação de Estudos Históricos e Culturais em Música, em parceria com Judith Ortega, investigadora da Universidade Complutense de Madrid e colaboradora do mesmo grupo.

Resumo:

Antonio Tedeschi (Aversa, 1702 – Lisboa, 1770) foi um padre napolitano contratado para a Capela Real e Patriarcal de D. João V em 1733. Ao serviço da corte portuguesa exerceu as funções de cantor, compositor, libretista e poeta. A obra musical sobrevivente inclui oitenta e duas composições. A maioria das fontes encontra-se no Arquivo da Fábrica da Sé Patriarcal de Lisboa, onde foram recolhidas após a extinção da Patriarcal e das várias capelas reais segundo o modelo do Antigo Regime, mas outros manuscritos preservam-se em várias bibliotecas e arquivos, incluindo a Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda. Após o Terramoto de 1755 e a consequente separação entre Patriarcal e Capela Real, Tedeschi ficou ao serviço desta última. Estabeleceu-se em habitação própria no Largo da Ajuda, junto ao Palácio Real, e aqui viveu até à sua morte, enquanto parte de uma densa rede de cortesãos e servidores que para aqui se deslocaram, e que incluía muitos dos músicos da corte. Foi para a Capela Real que Tedeschi compôs, nestes anos, a quase totalidade da sua obra sacra. As especificidades do cerimonial, as exigências das tradições litúrgicas, e a constante presença da família real, de exigente gosto musical, levaram o compositor a desenvolver, dentro das convenções pré-estabelecidas, um perfil particular. Distingue-se pela peculiar mescla entre um gosto tardo-barroco, de feição romana, com o estilo expressivo e galante, de matriz napolitana, e pela ânsia em sublinhar exaustivamente a dimensão poética dos textos sacros. Este artigo aborda a participação de Tedeschi na vida musical da Capela Real, descreve algumas das obras compostas para o seu serviço, e revela um pouco da vida quotidiana dos músicos no «Lugar de Nossa Senhora da Ajuda» ao longo da segunda metade do século XVIII.