
Andrew Snyder, investigador do INET-md, contribui para o livro Festival Activism (2025) com o capítulo “An Accessible Carnival: Festivity, Inclusion and Disability in Rio de Janeiro”.
Resumo:
Intrínseco à ética de muitos dos blocos do Rio de Janeiro, ou conjuntos musicais do carnaval de rua, é o compromisso com a participação, a liberdade, a democracia e a inclusão. Diversos movimentos surgiram com foco na equidade de género, a justiça racial, a integração de classes diferentes e a crítica política. Mas uma ausência notável tem sido o foco na inclusão de pessoas com deficiência. Um dos blocos principais do carnaval de rua, a Orquestra Voadora, busca desde 2018 tornar as atividades do grupo acessíveis a pessoas com deficiência, com o objetivo de promover uma discussão mais ampla sobre acessibilidade no carnaval de rua em geral. Os participantes são encorajados a refletir sobre como as práticas musicais são naturalizadas pelo capacitismo que estrutura a sociedade. Reconhecendo que “deficiência” é uma palavra que abrange muitas realidades diversas, a banda tem buscado adotar estratégias gerais para tornar seus eventos mais acessíveis e também responder às necessidades individuais, mudando de uma estratégia de acomodação para uma meta de forjar uma cultura de acessibilidade. Os participantes rejeitam um modelo separatista de artes para pessoas com deficiências em favor de um modelo integracionista que não seja apenas inclusivo nas margens, mas que exija mudanças estruturais para todos os envolvidos de maneira que, defendem eles, também criarão uma cultura mais inclusiva, fortalecedora e solidária para que todos os participantes prosperem.