
Luísa Roubaud, investigadora integrada do INET-md, é autora do capítulo intitulado “Quando a dança se torna arma”, incluído no livro Por uma Felicidade Assim (Ed. Nome Próprio, 2025), com coordenação editorial de Madalena Alfaia.
Em “Quando a dança se torna arma”, Luísa Roubaud propõe uma leitura crítica do percurso artístico do coreógrafo Victor Hugo Pontes (n. Guimarães, 1978), desde as primeiras experiências no rancho folclórico e no teatro até à consolidação de uma obra marcada pela contaminação entre dança, artes plásticas, palavra e performance. O ensaio observa a singularidade da trajectória improvável de um criador que, chegando à dança por caminhos periféricos e heterodoxos, transformou essas deslocações numa linguagem própria. Cruzando biografia e análise do repertório, o texto mostra como a obra de Pontes foi adquirindo espessura política, interrogando corpo, norma, diferença, memória colonial, marginalidade e pertença. Ao ler a sua dança enquanto manifestação cultural incorporada, a autora perspectiva o território cénico como espaço de pensamento e resistência: uma arma poética e politicamente situada, exposta ao escrutínio do seu tempo.

