
Equipa
Hugo Paquete (INET-md/ UA, coordenação artística)
Gilberto de Lascariz
Sérgio Carolino – tuba (Yamaha International Artist)
Ana Santos – voz lírica (Cantora Lírica)
Bruno Sousa – performer (voz-base para síntese vocal)
Amanda Duda – performer (voz-base para síntese vocal)
Alunos da Licenciatura em Teatro da ESAP
David Stingley
Christopher Zlaket
Ana Erica Fernandes
Ana Rita Santos
Mário Rui – gestão financeira
Miguel Mesquita “Marcapreta”
Hugo Vale
Raquel Barrocas Leiter
Luna Paquete
Período de execução
2026 a 2028
Instituições envolvidas (em colaboração ou parceria)
Planetário do Porto – Centro Ciência Viva
Museu Zer0 – Centro de Arte Digital
NOVA LINCS / Festival Periphera
Artech‑International
Absonus Lab / Laboratório de inovação em som, tecnologia e media arte digital
GeoBioTec – Departamento de Geociências (UA)
ICT – Instituto de Ciências da Terra (Universidade de Évora)
INET‑md – Universidade de Aveiro
ESAP – Escola Superior Artística do Porto
ESAM – Escola Secundária Alves Martins
EASR – Escola Artística Soares dos Reis
Câmara Municipal de Estarreja
Financiamento
Direção-Geral das Artes DGArtes | Ref. 33619
Resumo
Ecos Umbrosos: O Mundo como Interface é uma performance eletrónica imersiva concebida para cúpula fulldome 4K e espacialização multicanal, com estreia no Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, onde a cúpula se transforma em dispositivo sensorial, geológico e tecnológico. O projeto toma o petróleo como “sangue negro da Terra”, hiperobjeto cuja escala excede a perceção humana, articulando geologia, tecnologia, mitologia, ciência ambiental e criação artística numa dramaturgia especulativa sobre energia, poder e finitude.
Desenvolvida com consultadoria de Gilberto de Lascariz, a dramaturgia ancora‑se nas figuras de Ashmedai e Ahriman, entidades simbólicas que operam a ambiguidade faustiana entre progresso, colapso e alienação tecnológica. A paisagem sonora integra música eletroacústica, pós‑techno e estética industrial, com a tuba de Sérgio Carolino como voz telúrica – estrato geológico que emerge e vibra através da eletrónica. As vozes sintéticas de Ashmedai e Ahriman são geradas por IA a partir de material gutural recolhido com alunos da ESAP, constituindo uma aplicação inédita de IA generativa à síntese vocal. A voz lírica de Ana Santos é processada como memória espectral do humano.
Geofones captam vibrações telúricas em tempo real, integrando a escuta geofísica como ator não‑humano. Sensores de CO₂ modulam paisagens generativas através do sistema Atmospheric Metabolism, incorporando a respiração do público na composição. A dimensão visual inclui projeção fulldome 4K gerada por IA e luz robótica interativa, transformando a cúpula em camada geológica visível, nave e interface.
O projeto introduz metodologias de experimentação – geofones performativos, IA generativa aplicada à voz, sonificação ambiental, vídeo imersivo algorítmico – e articula uma rede de parceiros que exemplifica a transversalidade entre arte, ciência, tecnologia e geologia. A circulação nacional inclui três polos estratégicos: Museu Zer0 (Faro) e Festival Periphera / NOVA LINCS (Almada) entre outros, reforçando a descentralização e a integração entre investigação científica, prática artística e inovação tecnológica.
A Expedição Telúrica recolhe vibrações subterrâneas e sonoridades industriais em Sines, Aljustrel e Peniche, alimentando a composição e o desenvolvimento dos sistemas de IA, consolidando a ligação entre território, geologia, ecologia e criação sonora. O projeto inclui oficinas escolares, podcasts, transmissão online e um seminário transmedia, promovendo literacia tecnológica, acessibilidade e envolvimento comunitário. Ecos Umbrosos estabelece um espaço de escuta partilhada entre humanos, máquinas e planeta, ativando uma ecologia operativa que interroga energia, poder e finitude.
Palavras-chave
Performance eletrónica; arte sonora; fulldome; IA generativa; geofones; hiperobjetos; ecologias digitais; sonificação ambiental; estética pós‑digital; media arte digital; tecnologia e dramaturgia.