
A 24 de setembro, 2025, pelas 14h00, decorrem as provas de doutoramento em Ciências Musicais – Especialidade em Etnomusicologia da Mestre Teresa Maria Marques de Matos Ferreira (Teresa Gentil), que defenderá a sua dissertação com o título De ‘voz castiça’ a ‘voz de Portugal’: A construção da voz de Amália Rodrigues (1939-1949), com orientação de Salwa El-Shawan Castelo-Branco e co-orientação de Rui Vieira Nery.
Júri das provas de doutoramento:
- Prof. Doutor João Soeiro de Carvalho, Presidente do Júri (INET-md, NOVA FCSH)
- Prof.ª Doutora Kimberly Holton (Rutgers University)
- Prof. Doutor Francisco Palomares Martinho (Universidade de São Paulo)
- Prof. Doutor Nuno Domingos (ICS, ULisboa)
- Prof.ª Doutora Sara Pereira (Diretora do Museu do Fado)
- Prof.ª Doutora Salwa El-Shawan Castelo-Branco, Orientadora (INET-md, NOVA FCSH)
- Prof.ª Doutora Paula Gomes Ribeiro (CESEM, NOVA FCSH)
- Prof. Doutor Manuel Deniz Silva (INET-md, NOVA FCSH)
De ‘voz castiça’ a ‘voz de Portugal’: A construção da voz de Amália Rodrigues (1939-1949)
Esta tese aborda a construção da voz de Amália Rodrigues como referente sonoro de Portugal e como materialização acústica de ideias, conceitos, emoções e sentimentos de pertença, conceções de classe socioeconómica, educação, género, ‘raça’, entre outras. Como se construíram, reconfiguraram e ressignificaram estas e outras ideias sobre a voz de Amália Rodrigues e o que revelam acerca dos contextos socioculturais em que foram produzidas? Porque se destacou a voz de Amália entre as vozes que se moviam e se escutavam nos mesmos espaços de sociabilidade? Como a voz de Amália terá influenciado esses mesmos contextos e a própria conceção de voz, especialmente de voz ‘feminina’?
De modo a responder a estas e outras questões, procedo à análise da voz construída discursivamente na imprensa tanto generalista como especificamente dedicada ao fado ao longo da primeira década da carreira da fadista (1939-1949). Estas publicações permitem aceder aos contextos e aos pressupostos ideológicos que sustentavam o modo como as vozes eram produzidas, interpretadas e comunicadas. Analiso igualmente a voz interpretativa, que podemos escutar nas primeiras gravações fonográficas realizadas pela artista (1945), nos filmes ‘Capas Negras’ (1946) e ‘Fado História de uma Cantadeira’ (1947), exemplos que possibilitam imaginar e mapear o diálogo entre diferentes estéticas e estilos interpretativos vocais. O meu principal argumento é que as relações intertextualmente estabelecidas entre estas duas dimensões da voz, discursiva e interpretativa, foram reificadas na figura e na voz de Amália Rodrigues, tornando-a um espaço de encontro e confronto entre subjetividades individuais e estruturas e valores sociopolíticos e institucionais. Entender e cartografar a construção desta voz e os modos como foi sendo política e culturalmente apropriada, moldada e redefinida permitir-nos-á, com maior abrangência, compreender o seu impacte na sociedade e cultura portuguesas.
Palavras-chave: Voz como construção cultural; Fado; Amália Rodrigues; Estado Novo; nostalgia; cosmopolitismo; nacionalismo.