
Agnès Pellerin, investigadora integrada no INET-md, contratada pelo projeto EXIMUS, assina o artigo “Grândola, Vila Morena, entre histoire et mémoire : une chanson de révolution dans le cinéma révolutionnaire portugais“, publicado em acesso aberto no mais recente número temático da revista online Reflexos – Revue pluridisciplinaire du monde lusophone, dirigido por Sandra Teixeira e Georges Da Costa sob o título “50 ans après le 25 avril : mémoire(s) et représentations de la Révolution des Oeillets et de l’immigration portugaise en France“.
Resumo
Grândola, Vila Morena, utilizada como sinal radiofónico pelos militares durante a Revolução dos Cravos, tornou-se um instrumento direto do golpe de Estado. Embora o seu objetivo inicial não fosse explicitamente subversivo, esta canção lenta e tranquila afirmou-se como uma obra política importante do século XX, mas permaneceu relativamente pouco estudada pelos académicos até tempos recentes.
Como é que o cinema revolucionário (Robert Gonçalves) – constituído por filmes militantes realizados durante os acontecimentos ou pouco depois, baseados em imagens de arquivo – contribuiu para a sua apropriação na memória colectiva?
A presença de Grândola, Vila Morena nas bandas sonoras desses filmes parece evidente. Mas as suas caraterísticas, nomeadamente o ritmo e as repetições internas, fazem com que Grândola, Vila Morena pareça alheia ao “choque narrativo” (Trindade) representado pelo derrube da ditadura. Constitui, por isso, um desafio para o cinema revolucionário, dando origem a cenários memorialísticos e militantes que a incorporam livremente, sob formas heterogéneas. Como é que Grândola representa uma charneira entre a história e a memória nestes filmes associados a um “cinema do real”?