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Capítulo

Entre palácios, jardins e assembleias: música, dança e sociabilidades dos diplomatas em Lisboa na segunda metade do século XVIII

Projecto
Música, Artes do Espectáculo e Diplomacia no século XVIII: Redes portuguesas no cenário internacional
Grupos de Investigação

Cristina Fernandes, investigadora integrada do INET-md e coordenadora do grupo de investigação Estudos Históricos e Culturais em Música (EHCM), é autora do capítulo intitulado “Entre palácios, jardins e assembleias: música, dança e sociabilidades dos diplomatas em Lisboa na segunda metade do século XVIII”, incluído no livro Roma, Madrid, Lisboa: palacios de alquiler. Decoro, habitabilidad y ceremonial en el siglo XVIII (Ediciones Trea, 2025), co-editado por Pilar Diez del Corral (colaboradora do GI EHCM do INET-md), Álvaro Molina e Milton Pacheco.

Trata-se de um volume multidisciplinar que visa estudar o complexo fenómeno do arrendamento de imóveis a inquilinos da aristocracia e de outras elites sociais em três importantes capitais do sul da Europa ao longo do século XVIII. Revelam-se particularidades e problemáticas em torno dos próprios palácios arrendados, no âmbito da arquitectura, do urbanismo ou das artes decorativas, assim como aspectos da vida palaciana nos planos familiar, político, social e cultural. O texto de Cristina Fernandes insere-se na Secção IV – “El palácio como escenario: cerimonial, diplomacia e sociabilidad” —, da qual fazem parte também contributos relativos às práticas musicais nos palácios de Roma e Madrid.

Resumo:

Os diplomatas acreditados em Lisboa na segunda metade do século XVIII constituiram um círculo privilegiado para aceder e divulgar na capital portuguesa novos modelos de sociabilidade elegante e cosmopolita, nos quais a música e outras artes performativas desempenhavam um papel fundamental. Com base nos relatos de viajantes estrangeiros (cartas e diários) e noutras fontes, este capítulo apresenta uma panorâmica dessas actividades nos palácios que habitaram em Lisboa e noutros espaços a partir de duas abordagens complementares: 1) as práticas de sociabilidade que incluíam música, dança e, ocasionalmente, poesia e teatro, promovidas por diplomatas nas suas residências, entre os quais o Marquês de Bombelles (França), o Conde de Fernán Núñez (Espanha) e Robert Walpole (Inglaterra); 2) as festas, concertos, assembleias (principalmente a Assembleia das Nações Estramgeiras e a Assembleia Britânica), bailes e encontros informais que frequentavam, tanto no seio do corpo diplomático, como entre a aristocracia e as elites mercantis. O estudo centra-se nos espaços interiores e jardins privados, excluindo as festividades ao ar livre, a música nas igrejas e os teatros públicos, que têm sido abordadas noutras investigações. Analisam-se diversas práticas musicais, por profissionais e amadores, incluindo membros das famílias dos diplomatas e da aristocracia, bem como as danças sociais mais em voga. O estudo mostra ainda como os repertórios de origem francesa, inglesa e germânica (para além da forte presença italiana) interagiram com as obras de compositores portugueses e estrangeiros residentes em Lisboa (Pedro António Avondano, Jerónimo Francisco de Lima, Policarpo da Silva, José Palomino, entre outros), e o papel dos diplomatas na formação de uma cultura musical europeia transnacional.