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Artigo

Associativism as the Condition of Musical Possibility for an Alternative Brass Band in Portugal: Innovation, Viability, and European Integration

Projecto
Feedback pós-colonial: Músicas brasileiras em Portugal
Linha Temática
PPA

Andrew Snyder, investigador do INET-md, é co-autor, com Miguel Moniz (CRIA), do artigo “Associativism as the Condition of Musical Possibility for an Alternative Brass Band in Portugal: Innovation, Viability, and European Integration“, publicado na revista Ethnomusicology.

Resumo:
A banda musical Farra Fanfarra, oriunda de Lisboa, Portugal, integra uma rede global de fanfarras musicalmente ecléticas e contraculturais. Não obstante, a banda também emergiu da tradição filarmónica do país, a qual desempenha um papel importante na construção e manutenção de identidades locais e nacionais. Destas bandas tradicionais, os Farra Fanfarra adaptam o modelo institucional da associação, enquanto forma de organização social sem fins lucrativos, legalmente codificada e intrinsecamente ligada à vida cultural em Portugal. Destacando a adaptabilidade desta estrutura organizacional, analisamos o associativismo português enquanto prática cultural e enquadramento jurídico através do qual as comunidades podem adaptar elementos da cultura tradicional, simultaneamente envolvendo-se em transformações inovadoras. Defendemos que o uso criativo do associativismo pelos Farra Fanfarra fornece à banda as condições de possibilidade musical para as suas atividades, considerando os fatores que ampliam ou restringem o leque de possibilidades para o projeto musical. O associativismo possibilita à banda inovar nas tradições filarmónicas e assegura a sua viabilidade num contexto de produção cultural capitalista. Promove a mobilidade da banda ao fornecer bases institucionais para a realização de intercâmbios por toda a Europa disponíveis apenas para associações, que conferem aos sócios a capacidade de concretizar os objetivos da política cultural dos projetos de integração europeia de forma criativa. Através destes intercâmbios, Farra Fanfarra assume um papel de protagonismo em iniciativas de diplomacia cultural e projetos ativistas que promovem encontros interculturais através da música. Concluímos que esta adaptação do associativismo português de base local configura um cosmopolitismo enraizado que reflete a forma como os cidadãos europeus têm vindo a alterar progressivamente as instituições locais em espaços de ação supranacional e intercultural.