
Cristina Fernandes, investigadora integrada do INET-md e coordenadora do seu grupo de investigação Estudos Históricos e Culturais em Música, assina o capítulo “Arquitectura, cultura cenográfica e práticas musicais no século XVIII: as igrejas de Lisboa como espaços sensoriais”, que integra o livro Cinco sentidos. Sensorialidade, arte y cultura escenográfica en la Edad Moderna (Tirant Lo Blanch, 2025), co-editado por Carmen González-Román, Concepción Lopezosa Aparicio e Rudi Risatti, também disponível em acesso aberto.
Resumo:
Durante o século XVIII, as cerimónias religiosas na Capela Real e Patriarcal e noutras igrejas de Lisboa eram descritas pelos viajantes estrangeiros como esplendorosos espetáculos barrocos, marcados pela teatralização da liturgia, decorações sumptuosas e imponentes actuações musicais. Com base em relatos de viajantes estrangeiros e outras fontes documentais, este artigo propõe uma série de olhares sobre algumas igrejas de Lisboa enquanto espaços sensoriais e performativos durante o século XVIII, analisando de forma articulada aspectos relacionados com a configuração arquitectónica e a cultura cenográfica e as suas implicações na performance cerimonial, nas sonoridades rituais e nas práticas musicais. Demonstra-se como o sentido da audição assumiu um papel fundamental nas manifestações religiosas e na expressão simbólica do poder real e como a estética musical dos rituais mudou ao longo do tempo e, com frequência, estabeleceu um diálogo próximo com as artes visuais e com os restantes sentidos. Para além das diferentes sedes das Capelas Reais e da Igreja Patriarcal, o estudo incide sobre outras importantes igrejas de Lisboa, tais como a Igreja de São Roque, a Capela Real da Bemposta, a Basílica dos Mártires (sede da Irmandade de Santa Cecília, padroeira dos músicos) e outros locais de culto.