Resumo:
“O Corvo e a Flor” é um projeto de cruzamento disciplinar cultural, artístico e educativo que tem lugar previsto em Santa Cruz na ilha das Flores e na Vila do Corvo na ilha do Corvo. Prevê ação numa das zonas geográficas de Portugal de mais difícil acesso às iniciativas culturais, o arquipélago dos Açores, nomeadamente as ilhas mais afastadas da zona central, cujas comunidades e instituições nos têm repetidamente comunicado a falta de oferta cultural no seu território. Nesse sentido, “O Corvo e a Flor” reconhece a sua relevância nascendo com o intuito, tanto de proporcionar oportunidades de aprendizagem e criação artística às comunidades e artistas locais, quanto de criar um projeto num formato de colaboração e de cocriação que incentive futuramente este tipo de iniciativas locais, reforçando pontes entre as instituições, os artistas e as comunidades.
O projeto “O Corvo e a Flor”, a fim de causar um impacto positivo e significativo na vivência cultural e artística local, edifica o seu método no Teatro do Real, privilegiando a participação ativa de todos os intervenientes na criação de um objeto artístico plural que reflita as perspetivas sociais e individuais acerca das ilhas, da comunidade e da sua cultura. Para além do cunho documental característico desta tipologia de Teatro, também será elaborado um documentário em formato vídeo a fim de retratar o impacto do projeto na comunidade, conferindo à mesma mais uma plataforma de expressão e de promoção do seu valor humano, artístico e cultural. Em termos de inovação, entendemos ser um tipo de projeto em falta em regiões descentralizadas em termos de oferta cultural e que é essencial para a apropriação e empoderamento das comunidades locais quanto à sua cultura e a sua fruição e criação artística.
“O Corvo e a Flor”, para além de responder às preocupações sociais e culturais da região, atende de igual forma à intenção de criar um objeto performativo de alta relevância artística oferecendo formação nas áreas da voz, do corpo e da representação (Canto Coral, Teatro, Teatro Físico e Musicalidade do Movimento) e colaborando com dois grupos teatrais e um grupo folclórico locais – A Jangada, Os Escarépios e O Grupo Folclórico e Etnográfico do Corvo – dando mais condições para que o resultado da cocriação entre a comunidade e os artistas seja um objeto de excelência e de reconhecido valor artístico, ponto que também entendemos ser relevante para as comunidades no reconhecimento do seu esforço, poder e valor cultural.
Equipa:
Jorge Luís Castro; João Francisco Távora e Maria José Araújo
Projeto da Associação AURUM et PURPURA, co-financiado pela DGArtes com parceria do INET md|CIPEM; Associação Corvo Vivo; Museu das Flores; EBS Mouzinho da Silveira e Grupo de Teatro “A Jangada”