
Equipa
Helena Marinho (PI)
Ana Maria Liberal
André Vaz Pereira
Ângela da Ponte
António Sarmento Dias
Filipa Cruz
Helena Lopes Braga
Joana Sá
Joaquim Carmelo Rosa
Joel Seabra
Lígia Madeira
Maria José Artiaga
Mariana Miguel
Paula Gomes Ribeiro
Renata Oliveira
Rui Raposo
Sílvia Mendonça
Teresa Cascudo
Período de execução
7/2016 a 6/2019
Financiamento
FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Resumo
O projecto “Euterpe Revelada” estruturou as suas actividades em três áreas de investigação distintas, centradas nas práticas artísticas (composição e performance musical) de mulheres portuguesas ao longo dos séculos XX e XXI: 1) o estudo da interacção entre os contextos doméstico e profissional da prática musical, com enfoque nos padrões de criação e interpretação marcados pelo género durante os primeiros anos do período republicano e do regime ditatorial; 2) o estudo de compositoras paradigmáticas (1910–2000), incidindo na recolha, sistematização e notação das suas obras musicais e da documentação associada, bem como na análise crítica dos discursos contemporâneos relacionados com a sua actividade e da articulação desses discursos com ideologias de género; 3) o estudo de desenvolvimentos recentes nos domínios da composição / performance, com particular atenção a paradigmas colaborativos e dialógicos de criação, e à sua relação com práticas narrativas e construções de género.
Estas perspectivas de investigação e de trabalho reconheceram as insuficiências da documentação e das publicações anteriores e existentes, assumindo uma postura de investigação de carácter «compensatório» (Citron, 1993), com o objectivo de contribuir para o desvelar de histórias e práticas que a musicologia e os estudos de performance, em Portugal, não haviam abordado de forma sistemática.
A investigação arquivística foi uma das tarefas que desempenhou uma parte significativa das actividades da equipa de investigação. Esta tarefa, incluindo a recolha e a sistematização de dados, foi desenvolvida em vários arquivos institucionais, tais como a Biblioteca Nacional de Portugal, a Biblioteca da Universidade de Aveiro, a Casa dos Patudos, o Museu da Música Portuguesa, o Museu Nacional da Música, a Biblioteca da Universidade Católica Portuguesa – Porto, a Biblioteca do Conservatório de Música do Porto, entre outros. A investigação arquivística incluiu igualmente colecções privadas, como os arquivos do coleccionador de música João Pedro Mendes dos Santos, da pianista Olga Prats, da violoncelista Isabel Millet ou da cantora Oliveira Lopes. Os membros da equipa digitalizaram um vasto e diversificado corpus de documentação e de partituras musicais, utilizando estes dados como base para as publicações e apresentações do projecto, bem como para outras publicações com revisão por pares e eventos promovidos por editoras, revistas e organizações de congressos não associadas ao projecto. Este corpus documental integrou vários tipos de conteúdos relevantes, nomeadamente manuscritos e autógrafos musicais, edições esgotadas, registos profissionais e institucionais, materiais gráficos (fotografias, pinturas), documentação em suportes electrónicos ou digitais (áudio e vídeo) e outros tipos de documentos (programas de concerto, cartazes, etc.), que foram parcialmente disponibilizados na base de dados do projecto. Os membros da equipa realizaram ainda entrevistas a personalidades de reconhecida relevância e conhecimento, permitindo a recolha de informação histórica e o estudo de artistas actualmente em actividade.
A sistematização e a discussão dos dados recolhidos ao longo do projecto constituíram a base de duas vias de disseminação dos resultados da equipa de investigação:
1) Publicação ou apresentação em contextos «standard» de edição científica e de divulgação com revisão por pares, incluindo capítulos de livros, artigos e comunicações apresentadas em conferências nacionais e internacionais, conforme detalhado na listagem de resultados abaixo.
2) Produção de conteúdos financiados pelo projecto e coordenados por membros da equipa ou sob a sua supervisão. Este eixo incluiu publicações e outros conteúdos, tais como livros, documentários etnográficos, o website e a base de dados do projeto, dissertações e teses, CDs e DVDs, bem como outros formatos de divulgação alargada, incluindo cartazes, palestras, exposições e recursos online, concertos e produtos artísticos e a organização de eventos científicos.
A sistematização e a discussão dos dados recolhidos ao longo do projecto constituíram a base de duas vias de disseminação dos resultados da equipa de investigação:
a) “Trabalhos de Euterpe”, coordenada por Helena Marinho e Manuel Deniz Silva, centrada na edição de textos inéditos de mulheres intérpretes, compositoras e mecenas ou promotoras de actividades musicais.
b) “Sons de Euterpe”, coordenada por Helena Marinho, dedicada à edição crítica de partituras musicais, bem como à gravação de obras de compositoras portuguesas. Os resultados incluíram edições críticas de partituras, abrangendo uma ampla diversidade de géneros musicais, nomeadamente repertório orquestral, de música de câmara, vocal e para instrumento solo.
c) “Vozes de Euterpe” , coordenada por Helena Marinho, que reuniu e difundiu, através do antigo website do projeto, entrevistas documentais com compositoras e intérpretes musicais ou com os seus familiares.
Palavras-chave
Música artística portuguesa dos séculos XX e XXI; Estudos de género; Compositoras; Intérpretes mulheres.