
Equipa
Helena Marinho (INET-md, coordenação artística e equipa artística)
António Carrilho (Coordenação artística e equipa artística)
Catherine Strynckx (Equipa artística)
Sara Carvalho (INET-md, equipa artística)
Jônatas Manzolli (INET-md, equipa artística)
Olívia Silva (Equipa artística)
Francisco Ribeiro (Equipa artística)
Ângela da Ponte (Equipa artística)
Jaime Reis (Equipa artística)
Período de execução
01/2024 a 10/2024
Instituições envolvidas (em colaboração ou parceria)
Direção-Geral das Artes (DGArtes)
INET-md
Universidade de Aveiro
La Nave Va – Associação Cultural
Financiamento
DGArtes 00024325
Resumo
“Despojos” propõe a exploração do tema da sustentabilidade e renovação através da reutilização de conteúdos musicais descartados por compositores e da implementação, na composição e performance, de técnicas envolvendo o uso de artefatos do dia a dia e outros recursos alternativos. Através da pesquisa artística, apresentação de concertos e atividades de mentoria, pretende-se estabelecer uma inovadora analogia artística com objetivos de implementação urgente para a salvaguarda do nosso planeta.
Palavras-chave
Ecologia e arte; Música portuguesa; Experimentação em música.
Despojos (álbum áudio)

Gravado e publicado em 2025, com o apoio do INET-md, disponível em acesso aberto em Despojos – Album by Helena Marinho, António Carrilho, Catherine Strynckx | Spotify
Interpretação do Borealis Ensemble: António Carrilho (flautas de bisel), Catherine Strynckx (violoncelo), Helena Marinho (piano).
Obras de: Ângela da Ponte, Francisco Ribeiro, Jaime Reis, Jônatas Manzolli, Olívia Silva, Sara Carvalho.
Gravação, produção, edição, mistura e masterização: Joaquim Branco.
Editora: mpmp Património Musical Vivo.
Alinhamento do álbum
Olívia Silva – The Sea Organ
Ângela da Ponte – Ombres Résonantes
Francisco Ribeiro – Três Reciclagens
Sara Carvalho – remains
Jônatas Manzolli – Segredos de Aguadeiro
Jaime Reis – emoliente.mavioso.
Notas biográficas e das obras
Combina a sua investigação académica com uma carreira performativa como pianista, e esta atividade sustenta a sua investigação artística. Tem apresentado concertos a solo e de câmara nas principais salas e festivais em Portugal, bem como nos EUA, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Irlanda, Reino Unido, França, Espanha, Itália, Grécia, Suécia, Noruega, Etiópia, Índia. As suas actividades performativas incluem projectos com piano moderno e pianoforte, tendo gravado (ou participado em) 13 CDs, interpretando repertório clássico e contemporâneo em ambos os instrumentos. Realizou também várias gravações para a rádio e televisão portuguesas e para a televisão francesa. Estreou várias obras contemporâneas e colabora frequentemente com compositores portugueses e estrangeiros. Vinte e um dos projectos que concebeu e realizou e que fundamentam a sua investigação artística foram selecionados para financiamento pelo Ministério da Cultura português.
António Carrilho
Flautista do Borealis Ensemble, divide a sua atividade musical entre a flauta de bisel e a direção. Foi solista com as orquestras Gulbenkian, Sinfónica Portuguesa, Metropolitana de Lisboa, Orchestrutopica, Den Norsk Katedralenensemblet (Noruega), Sinfonietta de Lisboa, Divino Sospiro, Os Músicos do Tejo. Orquestra Barroca de Haifa (Israel), Orquestra Sinfónica da Póvoa de Varzim, Orquestra Barroca de Nagoya (Japão), Orquestra de Cascais e Oeiras, Concerto Balabile (Holanda), Orquestra de Câmara da Madeira, e premiado nos concursos internacionais Recorder Moeck Solo Competition (Inglaterra) e Recorder Solo Competiton of Haifa (Israel). É director musical de La Paix du Parnasse, membro da associação de Grupos Españoles de Música Antiga, Syrinx : XXII, membro da associação Chamber Music America, Os Músicos do Tejo (Portugal), e é o maestro principal da Orquestra Barroca de Nagoya (Japão), apresentando-se regularmente em importantes festivais na Europa, América e Ásia. Gravou para as etiquetas Encherialis; Numérica, Naxos, Secretaria de Estado de Cultura do Estado do Amazonas, UA/ MPMP, Portugaler, dialogos, Arte France/ RTP. Ministra cursos nas Masterclasses Internacionais de Música Antiga de Urbino em Itália, nas Lisbon’s Masterclasses e nos Cursos Internacionais de Música de Mateus (co-director) em Portugal, tendo orientado cursos e estágios em países como Portugal, Holanda, Espanha, Alemanha, Itália, Índia, Japão e Brasil. É Professor Adjunto na ESART – Escola Superior de Artes Aplicadas, lecionando flauta de bisel e música de câmara (coordenador da disciplina).
Catherine Strynckx
A solo ou em música de câmara, atou em prestigiadas salas de concerto e festivais de muitos países, como EUA, Alemanha, Suíça, República Checa, Eslováquia, Argentina, Tailândia, Malta, Quirguistão, Peru, Brasil, França, Holanda. Foi chefe de naipe em orquestras em França e na Suíça durante 10 anos, na Camerata Lysy (1989-1992) e na Orchestre des Pays de Savoie (1993-2000) e membro da Orquestra Nacional do Porto (2000-2002). Catherine obteve primeiros prémios nos Concursos Internacionais de Caltanisseta, Trapani, e é laureada do Concurso Internacional Vittorio Gui de Florença. Foi membro fundador do Serenade String Trio, do grupo de música contemporânea Sirius e do Trio com clarinete A Piacere. Tocou a solo e em grupos de câmara em vários países. Gravou vários CDs, dos quais o Quarteto para o Fim do Tempo (centenário do nascimento de Olivier Messiaen), a integral de Lopes-Graça para quarteto de cordas e com piano, e a integral das obras de música de câmara para cordas de Joly Braga-Santos. As suas últimas gravações foram os CDs “Escape” do Stretto Duo com Paulo Jorge Ferreira (acordeão) e “Flutuações” com Katharine Rawdon. O seu interesse pela música contemporânea levou-a a colaborar regularmente com compositores, como membro do Stretto Duo, Syrinxello e Quarteto Lopes-Graça. Catherine Strynckx tem uma vasta experiência no ensino do violoncelo, tendo realizado cursos na Tailândia, Brasil, Suíça, Portugal e Alemanha, e é docente do Conservatório Nacional em Lisboa.
Ângela da Ponte – Ombres Résonantes
Ângela da Ponte é compositora, docente no Conservatório de Vila Real, Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo (IPP) e investigadora no CESEM – Centro de Estudos em Música. A sua obra tem sido tocada por inúmeras formações incluindo Smirnov Quartet (Basel Music Academy), Remix Ensemble Casa da Música (PT), Oregon Symphony (EUA), Vertixe Sonora (ES) e Ensemble New Babylon (DE). O reconhecimento do seu trabalho inclui a atuação e estreias em vários festivais como Festival Visiones Sonoras 2016 (MX), Audiokineza (PL), Kulturfabrik – 33,7 Festival (LU), Música Viva Festival 2022 (PT), e várias distinções que incluem a representação de Portugal na 67.ª Tribuna Internacional de Compositores (RS), Prémio Ibermúsicas – Composição e Estreia de Obra 2022, obra selecionada no ISCM World Music Days 2023 em África do Sul e vencedora do 1.º Concurso Internacional de Composição de Lied Alvaro García de Zúñiga.
Ombres Résonantes (Sombras Ressonantes) é um conjunto de sete miniaturas, concebidas como homenagens sonoras a compositores que partiram recentemente. A partir do legado destes compositores, cada andamento recicla e reinterpreta timbres, articulações, gestos e escuta.
Francisco Ribeiro – Três Reciclagens
Percussionista e compositor, Francisco Ribeiro iniciou os seus estudos musicais em 2011 na Escola de Música da Sociedade Filarmónica de Crestuma. Realizou a sua licenciatura em Composição na Universidade de Aveiro, com uma média final de 18 valores. Frequentou o primeiro ano do mestrado em Ensino de Música, vertente Música de Conjunto, orientado pelo professor André Granjo. Em 2021, a obra Esconder é sofrer venceu o concurso de composição para Orquestra de Sopros da Banda Sinfónica do Exército. Em 2023, Through my Glassy Veil, conquistou o primeiro prémio no XI Concurso Nacional de Composição da Banda Sinfónica Portuguesa.
Na obra Três Reciclagens procuro, através da temática da reutilização, trabalhar três melodias representativas de cada instrumento do trio: para a flauta de bisel uso o Allegro do Concerto em dó de Vivaldi [RV 443], procurando amplificar o seu carácter jocoso através de discursos imitativos e harmonias com sabor a jazz. Para o violoncelo utilizo Le Cygne de Saint-Saëns, transformando a sua melodia doce numa dolente sucessão de notas, como se o cisne tivesse sofrido um desfecho trágico. Para o piano uso a já cansada Für Elise de Beethoven, convertendo a sua leve melodia num frenesim histérico, insistindo em pequenos fragmentos da melodia, contrapostos com ritmos intensos. Por fim, no Epílogo, ouvem-se as três melodias simultaneamente, num mundo alternativo onde as três podem coexistir.
Jaime Reis – emoliente.mavioso.
Jaime Reis estudou com Karlheinz Stockhausen e Emmanuel Nunes, após formação em Composição e Música Electrónica na Universidade de Aveiro com João Pedro Oliveira. É fundador e diretor artístico do Projecto DME e do Lisboa Incomum. A sua música, instrumental e eletroacústica, tem sido apresentada em mais de 20 países. Trabalhou com instituições e ensembles como ZKM, IRCAM, Musikfabrik, The Vienna Acousmatic Project, Aleph Guitar Quartet e Musiques & Recherches. É professor de Composição e Música Eletrónica na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML).
emoliente.mavioso., encomendada por e dedicada ao Borealis Ensemble. Iniciei em 2018 uma abordagem à composição que remete para processos autotélicos. O desenvolvimento dos materiais provém de elementos intrínsecos à obra. Nos estrídulos raios de um Sol que queima, reverbera e deslumbra, a primeira aragem refrescante do crepúsculo contrasta com a água lisa que brilha como uma pele polida por uma acção emoliente que induz o ressumbrar da água & que o deixa mavioso, manso e dócil.
Jônatas Manzolli – Segredos de Aguadeiro
Jônatas Manzolli, compositor e matemático, cuja obra cruza arte, ciência e tecnologia. Doutorado em Composição Musical pela Universidade de Nottingham (1993), é Professor Catedrático aposentado da Unicamp, Brasil. Actualmente, é investigador colaborador do INET-md, Universidade de Aveiro, e do CISUC, Universidade de Coimbra. Pioneiro no uso da computação musical e robótica na expressão multimodal e em instalações interactivas, criou obras como Ada: Espaço Inteligente (Suíça, 2002) e Re(PER)curso (MACBA, Barcelona, 2007). As suas obras instrumentais, apresentadas no Brasil e na Europa, abrangem música de câmara, obras eletroacústicas e sinfónicas, bem como três óperas multimodais que integram orquestra, dança e tecnologia digital num único espaço cénico.
Em Segredos de Aguadeiro, as flautas de bissel, violoncelo e piano entrelaçam-se numa ecologia sonora que recicla dois materiais sonoros. O primeiro composto por ruídos, objetos e pios de pássaros, remete às memórias de infância do compositor e à figura do aguadeiro em busca de nascentes. No segundo, perfis melódicos fundem-se em ciclos polirrítmicos. Tal como o aguadeiro transporta a água entre diferentes fontes, o compositor metamorfoseia estes perfis de uma tonalidade para outra. Finalmente, os sons inaugurais reaparecem. Nesta obra, ruídos e melodias fundem-se em novos compostos sonoros, compondo uma trama em permanente transformação.
Olívia Silva – The Sea Organ
Olívia Silva colabora regularmente com diversos ensembles e músicos em projetos que abrangem diversas formações instrumentais, música eletrónica, instalações e dança. Compôs várias obras encomendadas, com o apoio da DGArtes, para instituições como Arte no Tempo, DME, DrummingGP, Borealis Ensemble e Cultura em Expansão. Teve uma obra para ensemble, Positive messages in a falling apart world, editada em partitura e CD, no projeto “Criação, Circulação, Registo Áudio e Edição de Obras de Música Portuguesa Contemporânea”, colaboração entre a ESMAE, ESML e o Departamento de Música da Universidade de Évora. Frequentou aulas e seminários com Helmut Lachenmann, Johannes Kalitzke, Harrison Birtwistle, Åke Parmerud, entre outros compositores. Neste momento é professora de Teoria e Análise Musical, Análise e Técnicas de Composição e outras disciplinas na Academia de Música de Costa Cabral.
A sua obra The Sea Organ reflete sobre o mar como força musical geradora, inspirada na instalação de Zadar (Croácia), onde o movimento das ondas cria sons a partir de tubos embutidos nas escadas da marginal. A obra explora a repetição, variação e fluxo contínuo como motores estruturais, recriando o vaivém e a imprevisibilidade do mar. Entrelaça exploração tímbrica e rítmica, reutiliza fragmentos de obras anteriores em novos contextos — evocando memória e sustentabilidade — e integra a improvisação dos intérpretes como parte essencial do processo criativo.
Sara Carvalho – remains
Sara Carvalho é compositora e professora associada na Universidade de Aveiro, Portugal. É também investigadora do INET-md. Enquanto compositora, o seu trabalho explora gesto, narrativa musical, conceitos de público-como-intérprete e colaboração compositor-intérprete. Com mais de 90 obras para solista, ensemble e orquestra, a sua música é interpretada, encomendada, publicada e editada internacionalmente em CD. É frequentemente convidada para integrar júris internacionais de composição. Sara Carvalho participa ativamente na vida académica, integrando júris internacionais, organizando conferências e participando em painéis. A sua investigação é apresentada globalmente e publicada em revistas e livros, incluindo edições da Ashgate/SEMPRE e da Imperial College Press.
remains foi inspirada pelo projeto Borealis “Despojos”, que propunha a reutilização de conteúdos musicais inacabados ou descartados. Decidi estabelecer uma ligação direta a essa ideia, reutilizando material que tinha abandonado durante o desenvolvimento de uma obra anterior, recorrendo ao conceito do “que ficou para trás”. O título e o material musical também jogam com os múltiplos significados da palavra “remain”. Na peça, o leitmotiv inicial do piano — aquele que eu tinha anteriormente descartado — insiste em “permanecer”, repetindo-se vezes sem conta. Esta repetição não só transmite a ideia de “ficar no mesmo lugar” como também alude à forma como a história se repete e evoca os restos de corpos das guerras recentes.