
SEMINÁRIO PERMANENTE DO GRUPO DE INVESTIGAÇÃO ETNOMUSICOLOGIA E ESTUDOS EM MÚSICA POPULAR
13.02.2026 | 16h30 | DeCA UA | Anfiteatro João Branco | Online
Entrada livre, presencial e online.
Ocisumba kya Kalunga: a circulação atlântica de um cordofone angolano
Lucas de Campos Ramos | Universidade de Aveiro, INET-md
Será apresentada uma pesquisa em curso sobre a ocisumba, um cordofone pluriarco de origem africana, documentado há cerca de quinhentos anos no Reino do Congo e ainda conhecido em Angola. Contudo, encontra-se hoje em risco de desaparecimento, com pouquíssimos mestres ainda vivos. Sabe-se que o instrumento foi levado para o Brasil durante o período da escravatura e que a sua utilização surge representada em pinturas naturalistas do século XIX, mas não há indícios de continuidade até ao presente. Em Portugal, a ocisumba está representada em coleções etnográficas do período colonial mais recente.
Lucas de Campos Ramos | professor e investigador brasileiro. Enquanto instrumentista, gravou e apresentou-se com nomes de destaque da música popular brasileira, entre os quais Hermeto Pascoal, Dona Ivone Lara, Monarco, Fabiana Cozza e Mateus Aleluia. Desde 2011, é professor de violão popular na Escola de Música de Brasília e colabora, de forma voluntária, no projecto social ABC Musical, dirigido a crianças e jovens da periferia de Brasília. Licenciou-se em Música pela Universidade de Brasília (2015), instituição onde também leccionou, e concluiu o mestrado na mesma universidade (2018), com uma investigação sobre a presença e as funções do violão no Choro. Realizou ainda uma especialização em História da África e dos Africanos (FATEC/IPN). Publicou diversos materiais ligados ao Choro e ao ensino musical, como Alencarinos (Choros de Alencar 7 Cordas) e Nosso Livro de Samba (ambos de 2018). Em 2021, foi investigador-bolseiro no projecto do IPHAN para o registo do Choro como Património Cultural do Brasil, com enfoque na região Centro-Oeste. Actualmente, frequenta o doutoramento em Etnomusicologia na Universidade de Aveiro, onde investiga as migrações de instrumentos entre Angola e o Brasil, em particular dos cordofones, bem como os processos que conduzem ao seu silenciamento e invisibilização, em parceria com o Museu Nacional de Etnologia.