Departamento de Comunicação e Arte | Universidade de Aveiro
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Portugal
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Gustavo Afonso
Nota Biográfica
Gustavo Afonso é um pianista e investigador português, natural de Coimbra. Estudou com Álvaro Teixeira Lopes, Rita Dourado e Helena Paula Figueiredo, tendo sido premiado em concursos de piano a nível nacional e internacional. Participa com regularidade em masterclasses orientadas por pianistas como Ecaterina Baranov, Fausto Neves, George Vatchnadze, Guigla Katsarava, João Paulo Santos, Josep Colom, Miguel Borges Coelho, Olga Prats, Pedro Burmester, Rudolfo Rubino e Serghei Covalenco.
Formou-se na Universidade de Aveiro, tendo sido galardoado com o Prémio Universidade de Aveiro/Caixa Geral de Depósitos e com três bolsas por mérito da Direção-Geral do Ensino Superior. No âmbito do Mestrado em Ensino de Música, desenvolveu um projeto em parceria com os compositores António Chagas Rosa, Bernardo Lima, Carla Oliveira, Miguel Vasconcelos, Paulo Banaco e Vasco Negreiros, do qual resultou a criação do Álbum de Música Portuguesa para Jovens Pianistas, publicado pela AvA Musical Editions.
Conta já com diversos concertos a solo, tendo-se apresentado como solista com a Orquestra Clássica do Conservatório de Música de Coimbra, dirigida por Leandro Alves, e com a Orquestra Clássica do Centro, sob a batuta de António Sérgio Ferreira. Assinala-se também o trabalho de colaboração com a Orquestra Filarmonia das Beiras, sob a direção dos maestros António Vassalo Lourenço, Leandro Alves e Vasco Negreiros.
Mantém, desde 2015, um duo de piano e canto com a soprano Beatriz Maia, destacando-se os concertos integrados na edição de 2019 dos Festivais de Outono, em Aveiro, na série de recitais Ciclos de Lua Nova, em 2021, na cidade de Águeda, no I Festival de Canto de Castelo Branco, no mesmo ano, na segunda edição do Projeto:Canção, em 2023, no Porto, e no ciclo Com ouvidos de ver, promovido pelo MPMP Património Musical Vivo, no referido ano, em Lisboa. Em junho de 2022, o duo apresentou o concerto Camões, o Amor e outras Paixões em Lisboa, com produção e transmissão em direto pela Antena 2. É de realçar também a participação do duo no CD dedicado à compositora portuguesa Berta Alves de Sousa, com a gravação de quatro canções sobre poemas de Luís de Camões, no âmbito do projeto Euterpe unveiled: Women in Portuguese musical creation and interpretation during the 20th and 21st centuries, coordenado por Helena Marinho.
No domínio da investigação, tem-se debruçado sobre a obra para piano e a música de cena do compositor Victor Macedo Pinto, que procura divulgar em comunicações-performance inseridas em congressos internacionais. Atualmente, é bolseiro do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança/Fundação para a Ciência e Tecnologia (DOI: 10.54499/UI/BD/151371/2021), e frequenta o Programa Doutoral em Música (ramo de Performance) na Universidade de Aveiro, sob a orientação da Professora Doutora Helena Marinho e a coorientação da pianista Diāna Zandberga (Jāzepa Vītola Latvijas Mūzikas akadēmija).
Projeto de Doutoramento
Título
Antígona e Medeia: Uma abordagem pós-dramática à música de cena de Victor Macedo Pinto
Orientação
Helena Marinho e Diāna Zandberga (Jāzepa Vītola Latvijas Mūzikas akadēmija)
Resumo
Compositor, pianista, pedagogo e crítico musical, Victor Macedo Pinto (1917-1964) foi uma importante figura do panorama musical português do século XX, tendo deixado uma obra vasta e diversificada, na qual o piano assume um papel central. Testemunho do seu ecletismo é a música de cena para a Medeia de Eurípedes (ca. 1955) e para a Antígona de Sófocles (1959), composta para apresentações do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC).
O enredo e as personagens de Antígona e de Medeia atravessam os mais diversos domínios, desde o teatro à filosofia, passando pela política, pela literatura, pela ópera, pelo cinema, pela pintura e pela escultura (Steiner [1984] 1995; Othman, Ahmad e Manan 2011). A questão da posição da mulher face a uma sociedade patriarcal assume-se como um assunto central em ambas as peças (Rabinowitz 1993; Griffiths 2006; Mitchell-Boyask 2008; Biajoli e Zaqueo 2018), embora as temáticas dos textos sejam ainda alvo de discussão (Pereira 2017).
Partindo do modelo colaborativo utilizado por Marinho et al. (2020) na reencenação de obras de Constança Capdeville, e conjugando uma abordagem arqueológica – na aceção de Assis (2018) do conceito de Foucault –, a realização de entrevistas e uma vertente de pesquisa artística, este projeto propõe a recriação das duas tragédias gregas, integrando elementos ligados às apresentações das peças pelo TEUC nas décadas de 1950 e de 1960, e discutindo temas fraturantes da sociedade atual, designadamente as questões de género. Paralelamente, esta investigação visa também a descoberta e divulgação da música de Macedo Pinto, respondendo à necessidade premente de lhe devolver o seu lugar no panorama da música portuguesa erudita do século XX.
Palavras-chave
Música portuguesa do século XX; música de cena; piano; recriação; Victor Macedo Pinto.
Financiamento
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (UI/BD/151371/2021)