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Escola de Verão

Sons da nação: música, memória e identidade nas independências africanas de língua oficial portuguesa

Coordenação Científica
Marco Roque de Freitas
NOVA FCSH
Horário
2.ª, 4.ª e 6.ª feira, 16h00-18h00
Duração
25h | 1-27 julho 2026
Local
NOVA FCSH

Inscrições até 15 de junho

Objetivos

Este curso tem como objetivos explorar os legados coloniais e os desafios pós-coloniais na configuração das práticas performativas em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; aprofundar a história e as especificidades sonoras de diversos géneros musicais associados a esses contextos, a partir de uma perspetiva informada pelos estudos pós-coloniais e decoloniais; e relacionar essas expressões com os processos sociais e históricos que as moldaram, das lutas anticoloniais às independências e aos seus desdobramentos contemporâneos.

Programa

1ª Aula – 1.07 (Marco Roque de Freitas)
Introdução: Música, memória e Identidades.
Apresenta os fundamentos teóricos e enquadra historicamente as lutas anticoloniais e a construção de identidades nacionais através da música.

2ª Aula – 3.07 (André Castro Soares)
Sons de Luanda: música e imaginação nacional no final do período colonial.
Explora a construção sonora de Luanda (1940-70) e as práticas musicais que ajudaram a imaginar Angola como comunidade política.

3ª Aula –  6.07 (André Castro Soares)
Do semba ao património: música, poder, e circulação na Angola pós-independência.
Aborda o trajeto do semba como canção nacional, e a sua reinvenção e projeção recente como património imaterial.

4ª Aula – 8.07 (Magdalena Chambel )
Sons das ilhas: mosaico territorial, social e musical em São Tomé e Príncipe antes da independência.
Explora a diversidade social e cultural após a recolonização do arquipélago, analisando fronteiras que moldaram o seu universo musical.

5ª Aula – 10.07 (Magdalena Chambel)
Do mosaico cultural à nação: a sonoridade de São Tomé e Príncipe independente.
Analisa o impacto das transformações sociais no universo musical, evidenciando o alargamento das zonas fronteiriças.

6ª Aula –  13.07 (Miguel de Barros)
As cantigas de tradição popular como expressão de resistência colonial e afirmação da identidade nacional na Guiné-Bissau.
Identifica a importância de cantores balanta, mandinga e beafada e a emergência de uma música em língua crioula na construção de uma identidade coletiva de resistência.

7ª Aula – 15.07 (Miguel de Barros)
A nova ‘música de intervenção’ da Guiné-Bissau: denúncias, contestações e reconfigurações.
Analisa o papel dos rappers guineenses na denúncia e contestação social, bem como o alcance das rádios privadas e comunitárias e das novas tecnologias.

8ª Aula – 17.07 (Inês Nascimento Rodrigues)
Da repressão à resistência: música e anticolonialismo em Cabo Verde.
Sublinha o papel da cultura na estratégia anticolonial do PAIGC: da repressão do Batuku, da Tabanka e do Funaná à sua reabilitação como símbolos de identidade.

9ª Aula – 20.07 (Inês Nascimento Rodrigues)
A construção sonora da nação no Cabo Verde independente.
Examina a construção da identidade musical Cabo-Verdiana através das políticas culturais do PAIGC, e as tensões entre “raízes africanas”, inovação e projeto político.

10ª Aula – 22.07 (Marco Roque de Freitas)
Do ‘caniço’ ao ‘cimento’: para uma história sonora de Lourenço Marques no período colonial tardio.
Aborda as vivências sócio-musicais em Lourenço Marques no final do colonialismo e a “guerra das ondas sonoras” entre o Rádio Clube de Moçambique e a “Voz da FRELIMO”.

11ª Aula – 24.07 (Marco Roque de Freitas)
A construção sonora de Moçambique: crónicas da vida e morte do ‘homem novo Moçambicano’ através da música.
Apresenta a política cultural da FRELIMO (1974-94), com foco na radiodifusão, no estatuto do músico e nas primeiras experiências de World Music.

12ª Aula – 27.07 (Marco Roque de Freitas, André Soares, Inês Nascimento Rodrigues, Magdalena Chambel, Miguel de Barros)
Mesa-redonda: trajetórias para o futuro / teste.
Explora convergências e divergências nos percursos dos cinco países e reflete sobre o futuro da investigação musical em África. A última hora é dedicada a um teste opcional.

Bibliografia

  • Barros, M. de. (2012). Participação política juvenil em contextos de “suspensão” democrática: A música rap na Guiné-Bissau. Revista TOMO, (21), 169–200.
  • Chambel, M. B. (2022). Dêxa puíta sócó(m)pé: Música em São Tomé e Príncipe: Do colonialismo à independência. Centro de História da Universidade de Lisboa.
  • Cidra, R. (2021). Funaná, raça e masculinidade: Uma trajetória colonial e pós-colonial. Outro Modo.
  • Freitas, M. R. de. (2023). A construção sonora de Moçambique. Sistema Solar/Teatro Praga.
  • Moorman, M. J. (2008). Intonations: A social history of music and nation in Luanda, Angola, from 1945 to recent times. Ohio University Press.