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Seminário

Investigar no Museu Nacional da Música: apresentação de trabalhos

Data
28 Mar, 2026
3:00
28 Mar, 2026
6:00
Local
Museu Nacional da Música, Mafra
Grupos de Investigação
Linha Temática

SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS HISTÓRICOS E CULTURAIS EM MÚSICA

O Seminário Permanente do grupo de investigação Estudos Históricos e Culturais em Música do INET-md pretende ser um fórum onde todos os seus membros (integrados e colaboradores), bem como outros investigadores e investigadoras do meio académico, cultural e artístico, possam apresentar o seu trabalho e discutir projectos e investigações em curso.

28-03-2026 | 15h00-18h00 | Museu Nacional da Música, Mafra

Entrada livre, mediante bilhete de entrada no MNM e sujeito à lotação da sala.

Nota: Os residentes em Portugal podem aceder gratuitamente aos 37 museus, monumentos e palácios da MMP, a qualquer dia da semana, 52 dias por ano, mediante apresentação do Cartão de Cidadão, nas bilheteiras. Não-residentes devem entrar em contacto para inet@fcsh.unl.pt com o assunto “Entrada SP EHCM – 28-03-2026”.

Investigar no Museu Nacional da Música apresentação de trabalhos

Para a sessão de Março de 2026 do seu seminário permanente, o grupo de investigação Estudos Históricos e Culturais em Música convidou os cinco doutorandos do Museu Nacional da Música (MNM), detentores de bolsas da FCT em ambiente não académico, a apresentar os seus trabalhos de pesquisa. Serão discutidas metodologias, novos desafios e descobertas suscitadas pelo acervo do museu, cruzando perspectivas das Ciências Musicais, da História de Arte e da Museologia, entre outras áreas do conhecimento. A sessão será apresentada por Edward Ayres de Abreu (diretor do MNM, membro do grupo de investigação Estudos Históricos e Culturais em Música e co-coordenador da linha temática Património(s), Arquivos e Museus do INET-md) e moderada por Cristina Fernandes.

Um estudo sobre o colecionismo de instrumentos musicais em Portugal: linhas orientadoras e contribuições

Joana Peliz | CESEM, NOVA FCSH

Na Europa do século XIX verifica-se um interesse crescente pelo colecionismo de instrumentos musicais e a partir de muitas coleções inicialmente privadas fundaram-se alguns dos mais relevantes museus da especialidade. Acompanhando essa tendência, Alfredo Keil (1850-1907), Michel’angelo Lambertini (1862-1920) e António Covacich Lamas (1861-1915) dedicaram-se igualmente à organização de coleções deste tipo. Uma grande parte das peças que reuniram e documentos afins ao processo de colecionação subsistentes encontram-se hoje no Museu Nacional da Música e constituem uma via para compreendermos a dimensão e os traços do movimento colecionístico de instrumentos musicais no país. Esse é o principal objetivo do projeto de doutoramento intitulado “O colecionismo de instrumentos musicais em Portugal na viragem para o século XX: o caso português”, que se sustenta justamente nos exemplos dos três colecionadores citados. Além de dar a conhecer algumas das suas linhas orientadoras, nesta apresentação, procurar-se-á demonstrar como uma investigação assente na análise de um conjunto instrumentos e documentos musealizados pode traduzir-se em contribuições com aplicações bastante concretas e com um impacto direto na gestão das coleções do museu. Para tal, aludir-se-á a alguns casos de instrumentos, cuja análise de documentos associados à coleção de que procedem revelou um conjunto de aspetos como proveniências, datação e autenticidade até então obscuros, que apelam a uma revisão dos seus dados de inventariação e a uma reinterpretação histórica.

Joana Peliz | Estudante de Doutoramento em Ciências Musicais Históricas na NOVA FCSH, onde também concluiu a licenciatura e o mestrado na mesma área. O seu projeto de investigação, financiado com uma bolsa da FCT em Ambiente não Académico, incide sobre o estudo de três coleções de instrumentos musicais portuguesas, que se encontram hoje no Museu Nacional da Música, tendo por objetivo caracterizar o fenómeno do colecionismo de instrumentos musicais em Portugal na viragem para o século XX. Enquanto bolseira e membro da unidade de investigação CESEM colaborou em diversos projetos de investigação em torno da música em Portugal no século XIX.

Das reservas à vitrine: a investigação do acervo do Museu Nacional da Música

Ana Ester Tavares | CITCEM/FLUP

O atual projeto expositivo do Museu Nacional da Música, agora patente nas novas instalações museológicas no Real Edifício de Mafra, resulta de uma cuidada seleção de 500 peças, cuja disposição e contexto propõem renovar diálogos, leituras e entendimentos. Emergindo das reservas onde durante vários anos se encontrava por falta de espaço expositivo, um conjunto de peças amplo e diversificado pode agora ser conhecido dos visitantes. Para isso, não só a sua seleção se demonstrou determinante, como também a implementação de uma estratégia dinâmica de reestruturação de inventário e catalogação, facto que criou, por si só, novos casos de estudo. O material informativo sobre cada uma das peças que agora ocupam as vitrines é fruto de um trabalho desenvolvido ao longo de dois anos por uma equipa multidisciplinar. Constituída por diversos elementos com formações académicas e experiências profissionais distintas, este cluster alargado tem vindo a estudar o acervo, umas vezes confirmando e aprofundando informações já conhecidas, outras vezes esgrimindo e desafiando conceitos, conteúdos e significados. Destacando alguns exemplares estudados – incluindo peças de têxtil, cerâmica, mobiliário, pintura e instrumentos musicais –, a presente comunicação procurará ilustrar este processo dialógico, referindo os contributos diretos da História da Arte na análise de algumas peças, evidenciando assim as descobertas e novas narrativas que a investigação tem vindo a proporcionar. Serão abordados igualmente fluxos de trabalho, metodologias e resultados concretos, assim como algumas limitações encontradas ao longo do percurso, apontando algumas perguntas que continuam por responder.


Ana Ester Tavares | Doutoranda em Estudos do Património – História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao abrigo de uma bolsa de doutoramento da FCT (2023.02749.BDANA), desenvolve o projeto “Espaços privados da Música nos séculos XIX e XX em Portugal: propostas de leitura, reconstituição e comunicação”, em colaboração com o Museu Nacional da Música. O interesse por temáticas que fundem a Música e a História da Arte provém da sua formação de base em Composição Musical (licenciatura e mestrado na Universidade de Aveiro – 2009-2014) em conjugação com o exercício profissional na área enquanto docente em escolas do ensino artístico especializado e também enquanto artista. Licenciada em História da Arte pela FLUP (2021), desenvolve investigação desde 2020, procurando estabelecer diálogos entre a Música, a História da Arte e o estudo e interpretação do património envolvendo as Humanidades Digitais – designadamente através das técnicas de digitalização 2D e 3D.

Desafios e paradigmas na documentação dos instrumentos musicais enquanto objetos funcionais em contexto museológico. Da teoria à prática: o guia de utilizador para a documentação da coleção do Museu Nacional da Música

Cláudia Furtado | IHA/NOVA FCSH, In2Past

A presente investigação centra-se na documentação museológica de coleções de instrumentos musicais, propondo uma resposta prática a uma lacuna reconhecida no panorama nacional: a inexistência de orientações sistematizadas para o registo deste tipo específico de acervo, sobretudo no que diz respeito à sua funcionalidade e ao uso performativo em contexto museológico. O trabalho desenvolvido parte da constatação de que os instrumentos musicais são frequentemente tratados, em termos documentais, de forma semelhante a outros objetos tridimensionais, desconsiderando a sua dimensão sonora e experiencial. Assumindo uma abordagem metodológica, esta investigação articula as referências normativas internacionais – como a norma Spectrum e os princípios do ICOM – com a realidade quotidiana do Museu Nacional da Música, tendo como resultado prático a construção de um guia técnico de apoio à documentação da sua coleção instrumental.

Cláudia Furtado | Bolseira da FCT (PRT/BD/152885/2021) e doutoranda em História da Arte, na área de especialização de Museologia e Património Artístico na NOVA FCSH. É investigadora doutoranda do Instituto de História da Arte (IHA/NOVA FCSH). Atualmente, o seu tema da investigação centra-se na funcionalidade em contexto museológico, com enfoque na documentação do uso performativo de instrumentos musicais históricos.

Cordofones dedilhados revisitados: atualizações de discursos expositivos na coleção do Museu Nacional da Música

Felipe Barão | INET-md/DeCA UA

Esta comunicação apresenta resultados decorrentes da revisão dos discursos expositivos relativos a 37 cordofones dedilhados da coleção do Museu Nacional da Música. A investigação teve como ponto de partida a reavaliação sistemática desses instrumentos, num contexto de reorganização das instalações do museu, que proporcionou a oportunidade de reexaminar criticamente esta parcela da coleção. Verificou-se que parte significativa dos discursos expositivos havia sido produzida em momentos distintos, com base nos recursos de investigação então disponíveis. A análise atual, fundamentada em observação material direta, análise organológica e cruzamento com documentação histórica, permitiu reavaliar atribuições e enquadramentos anteriormente adotados, identificando revisões em cinco domínios: (a) revisões tipológicas, quando se verificou tratar-se de outro tipo de cordofone, com implicações em características construtivas e funcionais, como afinação e encordoamento; (b) revisões de designação, relativas à forma como o instrumento era nomeado nos discursos expositivos, sem implicar necessariamente uma alteração tipológica; (c) revisões autorais, relativas à redefinição da autoria ou da oficina de produção; (d) revisões de proveniência, relativas à redefinição da origem geográfica ou produtiva do instrumento, com implicações na sua contextualização histórica; e (e) revisões de datação, que revelaram cronologias distintas das anteriormente apresentadas. Para esta comunicação, apresentam-se sete casos representativos dessas revisões, ilustrando de que modo o confronto entre características construtivas observáveis e fontes documentais possibilitou a reformulação fundamentada de atribuições e cronologias, bem como a clarificação de enquadramentos tipológicos. O contributo deste trabalho reside na atualização factual dos dados associados a estes instrumentos e na reformulação consequente dos discursos expositivos, com impacto direto na compreensão histórica e contextual da coleção.

Felipe Barão | Doutorando em Etnomusicologia pela Universidade de Aveiro (DeCA- UA), onde concluiu o mestrado na mesma área. Bolseiro de doutoramento da FCT (2023.03687.BDANA) e investigador do INET-md, é também colaborador do Museu Nacional da Música. Foi igualmente bolseiro (BI/UI72/10644/2023) no projeto “EcoMusic – Práticas sustentáveis: um estudo sobre o pós-folclorismo em Portugal no século XXI” (PTDC/ART-FOL/31782/2017), no qual produziu o documentário “Conta-me, Viola!”. A sua investigação incide sobre cordofones dedilhados, com particular ênfase nas violas de arame portuguesas, e articula a experiência prática em luteria com a sua análise material e construtiva. Destaca-se ainda como curador de exposições de instrumentos musicais, nomeadamente na exposição permanente do Museu da Música de Coimbra (MusMusCbr) e em exposições temporárias. Mantém uma carreira artística ativa como multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor musical.

Questionar o ornamento: outra forma de olhar a coleção de instrumentos musicais do Museu Nacional da Música

Ricardo Vilares | CITCEM/FLUP, CESEM

Um instrumento musical é um artefacto cultural cuja complexidade material e imaterial convoca múltiplas abordagens disciplinares. A presente comunicação, inserida na linha de investigação em curso no âmbito do projeto de doutoramento, propõe problematizar o ornamento em instrumentos musicais a partir do cruzamento entre a História da Arte e as Ciências Musicais, com base em exemplares da coleção do Museu Nacional da Música (MNM). O objetivo central consiste em refletir sobre as funções destes objetos que excedem a sua dimensão estritamente sonora, entendendo o ornamento não apenas como revestimento estético, mas como dispositivo discursivo e retórico, capaz de abrir caminho a leituras simbólicas e de atuar como mediador entre o instrumento, os seus contextos de uso e as vivências sonoras, visuais e sociais que convoca. A proposta metodológica assenta na análise de visu das peças, articulada com o trabalho de arquivo e com o respetivo enquadramento histórico, cultural e artístico. Dimensões estéticas e simbólicas tornam-se observáveis em múltiplos pormenores: na campânula de um trombone modelada em forma de cabeça de dragão; nas placas de marfim gravadas com cenas bíblicas; nas flores e nos mármores fingidos pintados num oitavino; nos temas pictóricos representados nas tampas de cravos, espinetas, virginais e clavicórdios; ou nos cravelhames esculpidos em forma de cabeças humanas ou de animais em diversos cordofones friccionados. O nosso olhar é necessariamente distinto daquele dos públicos de outras épocas; contudo, o estudo atento da ornamentação destes objetos pode contribuir para reduzir essa distância histórica e propor leituras renovadas que entendam a ornamentação como lugar de negociação, historicamente e culturalmente situada, entre artífices, comitentes ou proprietários e públicos.

Ricardo Vilares | Doutorando em Estudos do Património na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se licenciou em História de Arte. É mestre em Musicologia pela Universidade de Aveiro e licenciado em História e Teoria da Música pela Universidade de Évora. É bolseiro da FCT (2023.02646.BD) e colaborador do CITCEM e do CESEM, desenvolvendo investigação na área da iconografia musical e em torno de programas ornamentais de cordofones de teclado seiscentistas e setecentistas, num diálogo entre História da Arte e Ciências Musicais.